Não
se servir antes do anfitrião. Ao sentar-se à mesa
no lugar que lhe foi indicado, o convidado pode logo tirar o guardanapo
do prato e colocá-lo em posição, mas não
pode começar a se servir antes do anfitrião ou da
anfitriã, e antes que os convidados já estejam em
boa parte servidos. Em uma mesa de menos de dez pessoas, espera
até que todos estejam servidos para começar a comer.
Tratando-se de longas mesas com várias dezenas de convivas,
espera que perto de dez estejam servidos, para começar.
Tomar
assento. Durante uma refeição poderão
surgir várias oportunidades para os homens demonstrarem atenção
e deferência com as senhoras presentes. Uma delas está
no momento de tomar assento à mesa, quando devem auxiliar
as senhoras a sentar-se, afastando a cadeira para lhes dar espaço
e depois ajudando-as a encontrar a posição mais cômoda
à borda da mesa. Como o anfitrião prestará
essa gentileza à convidada de honra à sua direita,
o homem que está no assento seguinte também auxiliará
a senhora à sua direita, e o mesmo farão os demais.
Algumas observações pertinentes a deferências
e apresentações estão em minha página
desse título.
Posição
à mesa. As cadeiras à mesa do jantar já
facilitam a postura certa para a pessoa sentar-se à mesa:
elas têm encosto reto, e assento curto. O convidado deve sentar
com o tronco na vertical, descansar os pés sobre o piso sem
apoiá-los nas travas frontal ou laterais da cadeira, por
uma perna sobre a outra, e jamais afastar a cadeira para cruzar
as pernas colocando o tornozelo de uma sobre o joelho da outra,
ou balançar a cadeira inclinando-a para trás.
Propriedade
no uso dos talheres. Ao ver o grande número de talheres
colocados na mesa junto ao prato, a pessoa pode recear se confundir.
Mas há uma regra geral bem simples. O talher a ser usado
é o que está mais afastado do prato. Alguns talheres
poderão ser retirados pelo garçom ou substituídos
por outro de modelo diferente, e isto dependerá do prato
escolhido para a refeição. Porém ele os colocará
na mesma ordem. Apesar dessa regra simples, é conveniente
a pessoa procurar conhecer os vários tipos de talheres e
a quais pratos seu uso se relaciona, a fim de poder proceder com
mais desembaraço. Quanto ao seu manejo e posições
de descanso, falo disso um pouco na minha página Os talheres,
a qual em breve pretendo ampliar e completar.
Conversação.
À mesa, converse tanto com seu vizinho da esquerda quanto
da direita, e com os convivas à sua frente, e participe preferencialmente
do interesse geral pelo que dizem o anfitrião e a anfitriã.
Conserve uma atitude atenta sem ser tensa ou ansiosa. Cuidado com
os efeitos das bebidas e do café. Veja ainda minha página
sobre Conversação.
Os
cotovelos. Não colocar os cotovelos sobre a mesa
é um preceito bastante conhecido. Cotovelos sobre a mesa
enquanto mastiga, principalmente com o garfo e a faca nas mãos,
compõem uma péssima postura à mesa. Apenas
as mãos e os punhos podem apoiar-se sobre a mesa enquanto
a pessoa come. Ao utilizar a faca e o garfo para cortar, mantenha
os cotovelos próximo do corpo, para evitar tocar o vizinho
de mesa Após os discursos e brindes, se houver, ou se não,
a partir da sobremesa, durante o cafezinho e os licores, é
tolerável uma postura menos formal e a atitude pode ser um
pouco mais à vontade.
Falar
enquanto come. É necessário saber falar enquanto
se está comendo. Não falar com a boca cheia, e não
mastigar com a boca aberta, e não mastigar ruidosamente são
preceitos bastante conhecidos. Poucas palavras e frases curtas quando
se tem comida na boca, e interromper a refeição quando
tiver que ser mais extenso, deve ser a regra. Falar enquanto come
pode induzir a pessoa a engolir muito ar, resultando dores no estômago
e no peito, além de outros inconvenientes. A pessoa deve
manter os talheres na mão: garçons inexperientes costumam
retirar o prato de quem descansa os talheres enquanto fala.
Repetir
pratos. Nas refeições informais e no caso
do bufê, não há restrição para
se repetir um prato. Porém, quando estão previstos
vários pratos na ordem própria de uma refeição
completa servida à francesa, somente se repete um prato se
o garçom oferecer uma segunda vez. Caso contrário,
não se pede para repetir a sopa ou qualquer dos pratos. Em
uma refeição completa um prato completa o precedente,
de modo que a fome não será aplacada com o primeiro
deles, mas somente ao fim da refeição, incluída
a sobremesa.
Servir-se
no bufê. O bufê, seja em um restaurante seja
em uma recepção, permite à pessoa servir-se
na mesma ordem dos pratos de uma refeição completa
servida à francesa (Os bufês têm as entradas,
sopas, os comestíveis do primeiro prato e do prato principal).
Quem não se apercebe disto, enche o prato de comida misturando
todos os sabores, quando poderia ir ao bufê as vezes necessárias
para comer na ordem própria de uma refeição
completa, cuja seqüência é a mais apropriada à
digestão, evitando também o exagero de um prato transbordante
de comida.
Remoção
de resíduos. Está obviamente despreparada
para comer em companhia de outras pessoas aquela que mete o dedo
na boca para limpar entre os dentes com a unha, limpa o nariz no
guardanapo ou a boca no forro da mesa, e comete outras imprudências
repulsivas à mesa. Não se pega indiscriminadamente
com os dedos nem se cuspe no guardanapo partes não comestíveis
do que foi levado à boca. A regra geral é: do mesmo
modo que se levou um alimento à boca, é retirada da
boca qualquer sobra dele que seja necessário remover. Se
uma fruta é comida com as mãos, sem uso de talher,
então o caroço dessa fruta, ou qualquer parte indesejável
que tenha que ser retirada da boca, será apanhada com os
dedos. O que se leva à boca com um garfo (por exemplo, a
carne), retira-se (por exemplo, um pedaço de nervo ou de
cartilagem) passando da boca ao garfo e deste a um canto do prato;
se há o que retirar da boca que foi levado com a colher,
retira-se passando para a colher. Em qualquer desses casos busca-se
proteger o gesto fazendo-se concha com a outra mão. A espinha
de peixe é uma exceção: pode ser apanhada entre
os lábios com a mão. O caroço, a cartilagem,
casca, etc., retirados da boca são deixados em um canto do
prato em que se come, e não no pratinho de pão, nem
no "sous-plat".
Acidentes
de deglutição. Água, saliva, farinha,
bebida alcoólica forte, fragmentos de comida, são
as mais freqüentes causas de engasgo. A espinha de peixe é
um problema especial. Ela não é causa de engasgo,
mas de lesões na deglutição. É preciso
assegurar-se de que a porção a ser levada à
boca esteja livre de espinhas. Justamente por isso a faca para peixe
não é uma faca para cortar, mas para separar. A reentrância
do talher de peixe na forma de espátula, serve para separar
com cuidado a carne das espinhas ou dos ossos. Uma espinha de peixe
pode inclusive ferir a boca e, como dito acima, pode ter que ser
retirada com os dedos. Se sentir necessidade, a pessoa deve ir ao
banheiro para cuidar mais à vontade do problema; basta pedir
licença aos que estão próximos, levantar-se
e sair (não é necessário dizer que vai ao banheiro),
e retornar tão rápido quanto possível. Ao levantar-se,
deve deixar o guardanapo sobre a mesa à direita do prato,
e somente sair com o guardanapo protegendo os lábios se isto
se fizer irremediavelmente necessário. Se o caso for mais
sério, assim como também em casos de engasgo com risco
de ficar sufocada, a pessoa não deve hesitar em pedir socorro.
Bebida
alcóolica. O copo de coquetel ou drinques aperitivos
não são levados para a mesa de refeição.
Igualmente não se solicita bebida destilada (whisky, cognac,
etc.), nem bebidas alcoólicas doces (licor, vinho do porto,
etc.) como acompanhamento dos pratos principais. O acompanhamento
em um jantar formal sempre foi principalmente o vinho. Deve-se beber
apenas o que é oferecido como acompanhamento a cada estágio
da refeição, no momento oportuno. O anfitrião
oferecerá bebidas destiladas quando forem exigidas por pratos
especiais (sakê, para comida japonesa, cachaça para
feijoada e churrascos gordurosos, etc.).
Brindes
e discursos. Uma pessoa educada é capaz de proferir
palavras de saudação, brinde ou discurso quando solicitada
a fazê-lo em um almoço ou jantar, ou quando percebe
que é oportuno e esperado que tome tal iniciativa. O brinde
por isso é um tópico de Boas-maneiras à mesa,
tanto quanto à postura para o gesto de brindar como quanto
ao modo de responder ao brinde. Tenho algumas observações
a respeito em minha página Brindes e discursos.
Agradecimento.
Após participar de um jantar ou festa a que foi convidado(a),
sempre envie no dia seguinte uma mensagem de agradecimento ou telefone
para comentar e cumprimentar a anfitriã pelo que você
puder elogiar do evento.
Sal
e pimenta: Não coloque na comida sal, pimenta óleo
ou qualquer tempero que estiver na galheta sobre a mesa, antes de
prová-la. Após usar a galheta de óleo, sal
e pimenta, recoloque frente ao seu lugar, no meio da mesa.
Por
favor, obrigado(a). Ter palavras gentis para as pessoas
que o servem ou lhe dão alguma ajuda à mesa é
uma mostra de consideração indispensável. Deve-se
agradecer ao garçom que remove o prato usado ou a cada momento
que serve a bebida ou um novo prato. Empregue "por favor",
ou "por gentileza" antes do pedido para que alguém
lhe passe a cesta de pão, uma travessa de comida, a galheta,
etc. e agradeça com atenção, olhando a pessoa.
Salvados.
Não peça para levar um pouco do que sobrou de um jantar
ou almoço, ou um pratinho de doces, ou pedaço de bolo.
Ter olhos para o que possa sobrar de uma festa é mostra de
muita necessidade econômica e, embora a comparação
possa parecer muito rude, é um papel de esmoler.
Despedida.
Em consideração aos anfitriões, despeça-se
na hora oportuna, sem prolongar demasiado sua presença. Permanecer
muito tempo após o serviço de jantar, chá ou
coquetel obriga a anfitriã, certamente já cansada,
a pensar em algo mais para oferecer.
Higiene
pessoal. Cabelos presos para não caírem pontas
sobre o rosto e o prato, unhas limpas ao segurar os talheres para
comer, pouco batom para não manchar os copos nem deixar marcas
notórias no guardanapo, são cuidados que se deve ter
ao participar de uma refeição, ainda que seja informal
ou da rotina diária, e inclusive no lar.
Comida
caída do prato. A pessoa que deixa cair um pouco
de comida do seu prato sobre o forro da mesa, deve recolher a porção
caída com o mais apropriado de seus talheres e colocá-la
na margem do prato em que come.
Vestimenta.
A roupa que a pessoa está usando deve ser a apropriada para
o evento de que participa. Nunca se usa boné, chapéu
ou camiseta sem mangas à mesa da refeição.
Mesmo em um quiosque na praia a pessoa que tem um mínimo
de consideração com seus amigos e amigas coloca uma
blusa ou camisa leve para uma refeição à mesa.
O mesmo vale para a refeição com a família,
no recesso do lar.
Ruídos.
Soprar a sopa quente, ou tomar ruidosamente qualquer líquido
é reprovável. Se faz involuntariamente qualquer ruído
(tosse, regurgitamento, etc.), a pessoa não precisa fazer
mais que pedir desculpas aos seus vizinhos de mesa. Telefones celulares
devem ser desligados e religados somente após a pessoa deixar
a mesa. Se precisa manter seu aparelho ligado, a pessoa deve, de
preferência, deixá-lo na bolsa ou sobre algum ponto
suficientemente próximo da mesa para que escute a chamada,
e pedir desculpas e levantar-se quando precisar atendê-lo.
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